quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fé, Deus, religião, evangélicos... Caio Fábio em entrevista para contemporânea



Tava vendo uns e-mails antigos e achei essa entrevista do Caio...


CONTEMPORÂNEA – Por que acreditar em Deus?


Caio Fabio – Por que como poderei crer em mim se não creio no Sentido de minha vida em Deus? Além disso, crer em Deus é crer na vida. E mais: crer em Deus é poder andar sob a maior força desta ou de qualquer existência: o poder da fé. Eu, todavia, só creio em Deus porque Ele creu em mim e a mim se revelou por pura Graça e bondade. Sem fé mesmo, o que existe em relação a Deus é a “crença vazia” em um Deus que, para o homem, existi apenas por uma questão de “normalidade social e psicológica”; mas, tal crença, não nos põe na cara de Deus mesmo.



CONTEMPORÂNEA – Nos EUA, na capital americana, recentemente, e na Inglaterra, existiram campanhas publicitárias de não crença em Deus. Para os ateus, um mundo sem qualquer tipo de religião é possível. A que você atribui essa descrença crescente no mundo?



Caio Fabio – Atribuo à loucura da religião. A religião, com seu “Deus” de guerras e divisões faz muito mal à humanidade. De fato, as pessoas que assim se portam em relação a Deus — lutando contra a idéia de Deus —, não fazem tal oposição a Deus mesmo, mas apenas à Sua representação, ao Seu “Retrato Falado” descrito equivocadamente pela religião, cujo Deus é apenas uma projeção dos valores morais do grupo religioso que diz representar a Deus na Terra. De fato, ironicamente, as três religiões monoteístas do mundo — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo — estão acabando com o mundo e a Terra. Quem tem um mínimo de conhecimento histórico sabe do que eu estou falando.



CONTEMPORÂNEA – Que tipo de fé e concepção espiritual sobre Deus, você defendeu e defende nestes últimos 33 anos como pregador?



Caio Fabio – A mesma de Jesus, que disse: “Quem me vê a mim, esse vê o Pai!” Deus é a cara de Jesus. É meigo como Jesus. É amor como Jesus. É simples como Jesus. É amigo de pecadores como Jesus. É distante da religião como Jesus. Deus é Jesus e Jesus é Deus. Quem quiser saber como Deus é, olhe para Jesus, conforme os evangelhos O apresentam.



CONTEMPORÂNEA – No mundo moderno, segundo importantes centros de pesquisas, cerca de 98% da população mundial acredita em Deus. Mas, ainda assim, o fato em si de acreditar não eximiu o ser humano de praticar guerras, violência urbana, fome, drogas, injustiças sócias e econômicas. Por quê?



Caio Fabio – Porque o “Deus” do mundo é religioso. Ora, religião é política, é partido, é fenômeno humano e se alimenta de interesses humanos, tanto econômicos quanto políticos. O “Deus da religião” divide e faz guerra. Não dá para haver paz no mundo se o maior poder entre os homens, o de Deus, é visto como uma força ideológica que afirma uns e dana ao inferno aos diferentes. O espírito religioso, quanto mais fundamentalista seja, mais diabólico o será na produção de guerras e divisões entre os homens.



CONTEMPORÂNEA – Até que ponto a Cristianismo da época de Jesus ao Cristianismo de hoje preserva sua essência original?



Caio Fabio – Jesus não fundou o Cristianismo. Ele não criou nada disso que aí está. O Cristianismo é uma criação do Império Romano cooptando a “Igreja” a fim de fortalecer o Império que se esfacelava aí pelo 4º Século. O mais foi feito em nome de Jesus, mas não tinha e não tem qualquer relação com o que Ele ensinou no Evangelho. Tudo isso é um grande estelionato!



Para ler a entrevista até o fim, clique AQUI.



sábado, 21 de novembro de 2009

Gritei aos quatro ventos: "Sou homossexual!"


Sempre tive uma idéia errada e de certa forma, deturpada, do que seria viver em Deus. Quando comecei a frequentar a igreja, achava que a vida seria linda, azul e que tudo viria à mim em uma bandeja de ouro. O começo da minha vida de “idas à igreja” foi assim: eu tinha muitos ao meu redor, todos dedicavam tempo, atenção, palavras, carinho, paciência (e que paciência). Eu focava/vivia nisso, aumentava histórias, contava mentiras, só para garantir aquela atenção enorme, para mantê-las por perto. Minha vida (de)pendia disso, da atenção recebida.


Então, pela primeira vez senti que a vida não é fácil, que certas coisas acontecem, nosso castelo de cartas cai, e só assim, no chão (ou sem ele), que aprendemos. As pessoas das quais eu (de)pendia foram embora. Em questão de um mês, vi a maioria delas irem. Fiquei sem chão. Voltei a busca incansável por alguém para servir-me de suporte. Encontrei novamente. (De)pendi novamente. E pela segunda vez, senti que a vida não é fácil.

Sem explicação ou justificativa, algo que eu escondia há anos veio à tona: a atração por pessoas do mesmo sexo. Pareceu aumentar, bater mais forte no peito e doer mais. Eu queria pedir ajuda, mas tinha vergonha. Encontrei uma pessoa e, sabe-se lá por que, ela me ouviu e passou a me ajudar incomparávelmente. Adivinha?! Passei a viver em função dela. Depois de seis meses, em uma infeliz análise, cheguei à uma das piores conclusões da minha vida: eu estava apaixonada. Apaixonada pela pessoa que se dispôs a ajudar, a dar a mão e a falar de Deus para mim. Mais uma vez, vi que a vida não é fácil. Afastei-me por umas semanas, mas a (de)pendencia não permitiu a distância. Contei. Confessei a paixão e apartir daí, as coisas só pioraram. Os meses seguintes foram o princípio de uma vida que eu não imaginei viver. Haviam pessoas por perto, mas eu não poderia contar a paixão por alguém casado e do mesmo sexo. Eu não poderia contar que olhava para casais homosexuais e ficava com inveja, por sentir que nunca seria feliz como eles. As coisas só aumentavam e me assustavam mais, tomaram proporções inimaginaveis. Alguns meses depois da confissão, a vida afastou, também, a pessoa que estivera mais presente. E afastou aquelas que estavam “meio-presentes”. Fiquei só. A partir daí, sem alguém para ser meu chão, cai de para-quedas em uma realidade chocante, não-vivida até então. Novamente, vi que a vida não é fácil.

Passei a viver uma personagem e a alimentar todos os meus desejos. Entrei em comunidades e conheci pessoas. Conversei e expus tudo o que confinei no tempo que correu. Manifestei aquilo que achei ser “o fogo que me alimentava”. Gritei aos quatro ventos: “SOU HOMOSEXUAL! Nunca mais ficarei com um homem!” E, na época, me senti inacreditávelmente bem com isso. Senti-me livre, realmente vivendo o que sempre sonhei. Fiquei com várias mulheres. Três delas ficaram mais marcadas. Ao lado de uma delas, cri viver os melhores dias da minha vida (até então). Mas, como outrora, vi que a vida não é fácil. Começou a faltar-me algo. Naquela vida perfeita, na qual eu tinha mulher, era muito bem aceita, era amada, frequentava lugares extremamente agradáveis, senti falta de algo. Um vazio no peito. Um gosto estranho, como se, ao mesmo tempo que aquela vida era perfeita e aparentava ser doce, era extremamente amarga. Tudo deveria deixar feliz, mas não deixava. Eu procurava um pouco de paz, mas não achava.

A vida não é fácil, mas é surpreendente. Aquela pessoa que me ajudou, aquela pela qual fui apaixonada e que, diga-se de passagem, eu não queria ver NEM pintada de ouro, reapareceu. E como um tapa na cara, ela voltou a conversar, perguntar e lutar ao meu lado. Em um momento de choque de realidades e ao perceber que a felicidade verdadeira não estaria ali, ao lado de mulheres, confessei querer sentir à Deus. Foram alguns meses levando a situação com a barriga. Vivi naquele mundo “perfeito” e tentei me reaproximar de Deus. Mas, um dia, percebi que dali pra frente seria menos fácil do que eu imaginei. Teria que decidir. Foi a decisão mais difícil da minha vida: abrir mão daquela realidade “perfeita”, acolhedora, de um lugar onde eu tinha certeza ser amada, por um futuro inesperado, pelo desconhecido e por uma felicidade que eu ouvia ser real, mas nunca sentira. Eu teria que abrir mão das minhas mentiras, do meu prazer, para viver exatamente o oposto.
Escolhi.

Pela primeira vez, decidi. A única pessoa que tinha todos os motivos para não estar ao meu lado, foi a que chorou ali, a que sentiu e viveu todos os momentos.

Achei que, por ser a decisão certa, seria fácil. A decisão foi difícil, mas achei que as dificuldades acabariam por ali. Idéia deturpada, como eu disse. A dor por ter aberto mão da “vida perfeita” foi enorme. Aquela pessoa ficou ao meu lado no começo. Manteve-se extremamente presente mas quando comecei a depender demais, a vida a afastou. Ficou nítido, ali, que a vida nunca mais seria fácil. Foi instantâneo, ela saiu de perto e tudo voltou. A mulher que eu tinha como “sonho de consumo” começou a me dar bola, as pessoas voltaram, estava tudo ali, na bandeija de ouro. Aquele passado batia à porta. Em um mês, eu já estava à beira do precipício. Não fiz grandes escolhas, só entrei em um site, lí um livro e me apressei para ir à igreja. Sem que eu percebesse, afastei-me um pouco da beira do precipício. E, aos poucos, fui me afastando cada vez mais.

As dores não diminuíram, muito pelo contrário. Conforme Deus vai moldando, parece doer mais. Tive que abrir mão das mentiras, que me prendiam incomparávelmente; tive que me afastar de pessoas, cortar certas relações, deixar de frequentar determinados lugares. Mas, finalmente, tenho felicidade e paz. O incrível é que, mesmo com dificuldades e dores, a felicidade mantém-se. A paz de estar em Deus é inexplicável e por mais dores que eu passe, por mais que eu ache, algumas vezes, que não dá para sobreviver, a paz reaparece inexplicavelmente.

Muitas pessoas não viveram a recompensa na terra por suas atitudes, por suas escolhas e dificuldades. A paz verdadeira, o dia de estar realmente tranquilo não é aqui, não está aqui e, muito provavelmente, não estará…não espere viver em um mundo cor-de-rosa por que a verdadeira recompensa por tudo o que plantamos não está aqui.
Nesses meus 19 anos de vida, procurei uma felicidade palpável, uma paz plausível ou justificável, procurei vida e felicidade em coisas, pessoas… Hoje vejo que a justificativa para a felicidade é uma só: Deus. Sou feliz, hoje, como nunca fui. Amo como nunca amei. Vivo como nunca vivi. Não sei o que virá. Não sei se vou morrer amanhã ou não. Sei que tenho paz por tentar viver em Deus o tempo todo. Sei que, não importa o que aconteça, Ele estará ao meu lado e isso me basta.

Deus ama a todos e dá oportunidade a todos, basta você escolher: Ele ou você.

Fonte: Adna Jovem


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Obama, ouça o cara

Por Guilherme Fiuza

Barack Obama vai continuar perdendo eleições se não ouvir o cara. Não dá para entender o que o presidente americano está esperando para importar o SUS, e resolver de uma vez o problema da saúde pública nos Estados Unidos.

Lula já declarou que empresta a tecnologia. Num evento em Olinda, expôs sua piedade do colega americano. Um sujeito que tem só 54% de aprovação e governa um país em crise realmente precisa de ajuda.

Obama é um coitado. Não tem pré-sal, não tem Olimpíada, não tem Copa do Mundo, não tem filme sobre a vida dele, não tem Dilma, não tem saúva, não tem jabuticaba, não tem SUS.

É óbvio que um país assim vai sofrer com o desemprego. O Sistema Único de Saúde brasileiro oferece milhares e milhares de vagas para fraudadores primários. É um ofício tão corriqueiro, que golpe contra o SUS nem sai mais no jornal.

São quadrilhas que vivem tranqüilas, bem alimentadas com as verbas que sugam do nosso maravilhoso sistema, com sua cobertura universal para guias falsas, pacientes fantasmas e outras modalidades de vista grossa. É bem verdade que, sob o SUS, os médicos comem o pão que o diabo amassou. Mas quem mandou escolher o ramo errado?

Obama só não pode querer que Lula exporte também a mão-de-obra especializada no 171 hospitalar. Isso é patrimônio nacional. Os americanos são preguiçosos, querem tudo de mão beijada. Eles que criem os seus próprios sanguessugas.

Depois de “Lula, o filho do Brasil”, possivelmente Michael Moore e Oliver Stone desembarcam no Ministério da Saúde para rodar um longa sobre a revolução do SUS. Será mais uma chance para Barack aprender o caminho das pedras.

E, por favor, nada de imagens de máquinas de raio-x enferrujadas, CTIs com 40 graus de temperatura ambiente, bactérias em festa e doentes terminais largados nos corredores. Os tempos são outros. Na dúvida, peçam ajuda aos publicitários caixa dois do PT. Eles sabem o que é para mostrar.

Que Deus abençoe o pobre Obama.


Fonte: Blog de Guilherme Fiuza

domingo, 15 de novembro de 2009

Pr. André Valadão X Pr.Olivar Alves



Uma nova polêmica surgiu em relação ao chamado ministério “Diante do Trono”. Há tempos atrás, a principal líder do movimento, a cantora Ana Paula Valadão rugiu como leão andando de quatro pernas sobre um palco para simbolizar o Leão de Judá. Agora o irmão dela, o jovem pastor e músico André Valadão participou de um show ecumênico em Goiânia com a banda católica Rosa de Saron. O nome do show foi: Um só Deus. André Valadão relatou em seu Blog o que foi sua experiência ( Ver http://www.andrevaladao.com/blog/?p=159). Ele escreveu: “Tanto eu quanto o Grupo Rosa de Saron nos unimos esta noite em Goiânia para proclamarmos isso: O que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa, nossa fé pode gerar em nós amizade, maturidade e comunhão”. Minha intenção aqui não é julgar o evento em si, ou as estratégias para alcançar pessoas. Mas lembrando dos reformadores, acho que eles diriam que havia mais coisas nos separando, como a questão da salvação pela graça ou o valor das Escrituras. O mais interessante foi que um amigo meu, um pastor de São José dos Campos, escreveu para o André Valadão comentando isso. Abaixo a transcrição de seus e-mails para que cada um tire sua conclusão:


1ª Mensagem (Pr.Olivar - postada no blog de André Valadão em 19/09/2009)

“Pr. André. Fiquei me questionando o que de fato foi o foco desse evento. Antes, é importante definir o que é um “foco”. Creio ser algo que fica em evidência. neste exato momento com toda sinceridade de meu coração tento encontrar o foco desse evento. Encontrei: vocês. Sei que vivemos uma época em que a tolerância deve ser praticada, embora veja que os profetas de Deus sempre foram taxados de intolerantes (Acabe que o diga!), e nem por isso se intimidaram ou cederam à pressão da moda do momento. Estou também me perguntando sobre “o que realmente une” uma banda católica e um cantor evangélico no mesmo palco (antes eram púlpitos). E antes que me venham com essa conversa de que o que vale é a intensão do coração, já vou dizendo que boa intensão não muda a vontade de Deus. Davi teve boa intensão ao trazer a Arca de volta, mas não fez da forma correta. O resultado foi a reprovação de Deus. Por isso, neste exato momento não dá pra dizer que Deus reprovou e nem que Ele aprovou esse evento, e assim sendo, como mineiro que sou ficarei aguardando o que acontecerá. Se é “algo novo de Deus para nossas vidas”, não me preocupo em participar pois, assim como a Graça de Deus veio para aqueles que nem a esperavam, esse “algo novo” (aliás, qual é o nome?), virá a mim também, pois, esse “algo novo” não será maior do que a Graça de Deus revelada em Cristo e recebida pela fé (da qual eu já participo), e por isso tenho a garantia de não ficar de fora desse “algo novo” se ele for de Deus. Agora, se for mais uma dessas modas contemporâneas, não perderei meu tempo, e nem o meu foco.


Pastor Olivar Alves Pereira (São José dos Campos - SP)”.


Resposta de André Valadão em 19/09/2009

Pense o que quizer, Caminho sob direção de Deus e nem mesmo minha liderança reprovou o que aconteceu naquela noite. Muitos, mas muitos mesmo, centenas entregaram a vida a Cristo como seu UNICO SALVADOR E SENHOR… E outra coisa, se você deseja ficar enfiado nas 4 paredes da sua igreja e não tem coragem de entrar e alcançar novas pessoas, isso é problema seu. Pare de mandar emails, você e sua “turminha” pro meu blog achando que vão mudar minha opinião ou até mesmo balançar minhas ações no ministério. Sou apaixonado por Jesus e não pela religiosidade de muitos que nos impedem de sermos livres e verdadeiros evangelistas e luz neste mundo. Se te incomodo, não posso fazer nada. Fique com Deus e vá pregar na sua igreja, quem sabe algum crente que você vê todo dia vai te ouvir e aceitar a Jesus de novo de novo e de novo, ou então os 2 gatos pingados que devem converter de vez em quando na sua igreja vão te suportar e ficar por lá…. Pare de mandar comentarios ridículos no meu BLOG, inclusive saiba que este seu já esta na mão dos meus advogados e todos os outros dos fariseus espirituais da sua turma também.

Andre Valadao.

Para mais, cliq
ue aqui

Não quero discutir se foi certo ou errado o André como um cantor evangélico participar de um evento católico (na verdade não vejo nda de mau), mas a resposta dele a crítica do outro pr, foi ridícula!Ele tem o quê, 10 anos de idade? Muito imaturo, tenho pena das ovelhas deste dito "pastor". O cúmulo pra mim foi como ele se referiu as ovelhas do pr presbiteriano, chamando-os de gatos pingados. Ele não deve saber que há uma grande diferença de adesão e conversão, e infelizmente o que vemos por ai, é a adesão da massa ao movimento evangélico. O pr da presbiteriana, deu um banho de educação e bíblia, eqto o pobre do André só pôde demonstrar o qto é cheio de ego, e que num passa de um menino mimado. Muito tosco! Ah, pra quem quiser, aí vai um texto direto do blog do pr Dedé. Lá ele "explica" que o pr Olivar na verdade, é um aproveitador que quer se promover. Sei... um fanfarrão esse "pr" né?


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O que não se pode medir e o que não se pode enxergar


Há coisas tão grandes (o macrocosmo) que não podem ser medidas. Há coisas tão pequenas que não podem nem sequer ser enxergadas. Nunca será possível descobrir o tamanho do universo.

Nem com o auxílio da oração será possível também compreender quão extenso, quão largo, quão profundo e quão alto é o amor de Deus (Ef 3:18). Nunca será possível descobrir o número das estrelas do firmamento (Gn 15:5), dos grãos de areias que se acumulam nas praias do mar nem das partículas de pó que cobrem o solo. Nunca será possível ver o que é pequeno demais, como os átomos, cujos “diâmetros têm aproximadamente um décimo de bilionésimo de metro, muito além do poder do microscópio”, como explica o físico Marcelo Gleiser. O criador do microcosmo atômico e do macrocosmo das galáxias seria também invisível, caso Jesus não fosse “a revelação visível do Deus invisível” (Cl 1:15, NTLH)!


Fonte: Ultimato



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Jesus, uma mulher e o machismo dos discípulos



Por Helen Araujo


Como assim, Jesus ensinando uma samaritana?! Ele não deve perder tempo ensinando outra pessoa que não pertença à comunidade judaica, além do mais, é só uma mulher, elas não são tão relevantes como nós homens fortes, viris, bravos! Este é um pensamento bem machista não é mesmo? Usei só para ilustrar o versículo 27 de João 4. Os discípulos se admiraram por ver Jesus falando com uma mulher samaritana. Atitude que reflete o desprezo dos judeus pelos samaritanos, assim como a idéia de que ensinar uma mulher seria perda de tempo.


Jesus, entretanto, não era preso a chauvinismos ou machismos como os discípulos (ou qualquer homem de qualquer época). Aliás, Ele não era preso a nenhum padrão ou conceito humano. Sua conversa com a samaritana foi uma demonstração de que o reino de Deus, está na contra mão do sistema mundano.


É maravilhoso saber que aos olhos de Deus as coisas são totalmente diferentes. Não há discriminação, há respeito e amor pelo indivíduo, assim como mudança para aqueles que desejam. Como seria bom se todos os cristãos procurassem imitar essa postura de Jesus, como seria bom se todas as pessoas, independente do que acreditam, fossem respeitosas e tolerantes.


Claro que não é fácil se despir de pré-conceitos que comumente são passados de geração em geração, é por isso que Jesus nos convida a segui-lo. A proposta de Jesus é, pare de viver segundo os teus padrões e conceitos, olhe para mim e viva segundo aquilo que tenho para você, e o que Ele tem, é vida em abundância e transformação para o ser. Ele bate à porta, se alguém abrir, Ele entrará, fará morada e transformará todo o ambiente.


Somente em Jesus há possibilidade de transformação da mente, do caráter, do coração e do modo de enxergar o outro. Seguir a Jesus é também abandonar o machismo, racismo, chauvinismo ou qualquer outro “ismo” que impeça de ver o outro como semelhante.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Aventura no Centro do Rio



Não devia ter saído de casa hoje, definitivamente! Devia ter ficado com meu cobertozinho, dormindo até tarde, acho que seria mais interessante, até produtivo, colocaria meu sono em dia. Mas não, resolvi em plena sexta-feira sair para uma entrevista de emprego. E lá fui eu, para o centro do Rio de Janeiro, com um frio horroroso e uma chuva que prometia. Na verdade, eu nem esperava que chovesse, pra mim o tempo melhoraria já que no dia anterior havia chovido muito.

Peguei o ônibus, estava chegando perto do meu destino. Não sabia onde era, pois nunca tinha ido lá, aliás, eu não sei andar no centro da cidade, mas quem tem boca.... Por um erro de cálculo saltei no ponto errado, tive que andar um bom pedaço até chegar, o pior foi a chuva que tive que enfrentar, e o malabarismo em cima da calçada estreita e esburacada, tentava não deixar que a água respingada pelos carros me molhasse, o que não adiantou muito, porque cheguei ao local com a barra da calça toda molhada.

Depois de passar por algumas etapas da entrevista, recebi um “não”, já estava voltando pra pegar o ônibus quando uma menina que estava junto comigo e também não passou na entrevista me disse: “vamos no lugar tal, lá está tendo uma entrevista também”. Almoçamos e fomos até o endereço. Andamos, andamos, andamos, para chegar ao tal endereço e descobrir que realmente estava tendo uma entrevista de emprego para aquela empresa, mas não era ali e sim em outro endereço. A raiva tomou conta de mim, mas me controlei e fui com a menina no outro endereço desta mesma empresa, que por sinal, ficava longe dali... Chegamos com meia hora de atraso. A entrevista estava marcada para as duas, mas ficamos felizes pela sorte que tivemos de ainda não ter começado. Também não fiquei nesse, nem a menina que me acompanhou até lá. Percebi que ao contrário de mim, ela ficou meio abalada, tinha esperanças de ficar. Pelo menos o fato de terem roubado o carro do marido, não tinha deixado que ela deixasse de ter esperança, mas era triste pra ela perceber que nada vinha dando certo ultimamente. Perguntou-me se eu era cristã, disse que sim, e me pediu oração. Disse que orava sim, mesmo sabendo que não a encontraria depois para saber como anda a vida.

Achei estranho que diferente de outras experiências de “porta na cara”, não tinha no coração sentimentos de frustração e tristeza. Sentia-me plenamente confiante e confortada por saber que Deus é quem dirige todas as coisas. Não sei se é porque me acostumei ou porque realmente tinha mudado meu entendimento sobre confiar em Deus, que, diga-se de passagem, descobri que era extremamente contraditório.

Uma chuva chata caía enquanto esperava o ônibus. O pior nem era isso, mas era ter que dar um passo atrás, toda vez que um ônibus vinha pelo acostamento, afinal, tava frio, e ninguém queria tomar banho de lama. Fiquei assim uns 30 ou 40 minutos, meu ônibus só passava direto e lotado, já tava tarde e queria muito voltar para casa, não aguentava mais a roupa molhada, o frio. Resolvi pegar um ônibus que ia pro destino que eu queria, mas fazia um percurso diferente do que estava acostumada. Tava cheio, mas nem pensei duas vezes, ou era esse ou ficava ali mofando esperando meu ônibus que viria cheio e que parecia passar apenas de meia em meia hora. Entrei e nem fui pro corredor, tava tão cheio, mas tão cheio que se bobear tinha gente até no teto. Aquilo não era um ônibus, era uma lata de sardinha gigante com gente socada. Meu Deus, como pobre sofre!

Depois de duas horas e meia num ônibus, consegui chegar em casa. Assim que cheguei me chamaram, eu tava tão cansada, mas tão cansada que nem fui atender, resolvi ir pro banho comer e domir. O fulano ficou lá me chamando na chuva, se era caso de vida ou morte, alguém morreu, pois eu nem olhei pra porta.

No final só pude agradecer por não ter sido assaltada ou morta num acidente de ônibus em plena Avenida Brasil. Tem que ter sorte, porque tem uns idiotas que adoram correr em pista molhada. Mas enfim, segunda começa tudo de novo. Aliás, quarta, porque segunda é feriado e terça tô de ressaca :P


VERDADE versus ALUCINAÇÃO



O culto pegava fogo. O frenesi do povo crescia, estimulado por um pastor quase grisalho, engravatado e bastante brilhantina nos cabelos. Mesmo acostumado à ambientes pentecostais, estranhei o exagero dos gestos e das palavras.

Concentrei-me para entender o que o pastor dizia em meio a tantos gritos. Percebi que ele literalmente dava ordens a Deus. Exigia que honrasse a sua Palavra e que não deixasse “nenhuma pessoa ali sem benção”. Enquanto os decibéis subiam, estranhei o tamanho da sua arrogância. A ousadia do líder contagiou os participantes. Todos pareciam valentes, cheios de coragem. Assombrei-me quando ouvi uma ordem vinda do próprio púlpito: “Chegou a hora de colocarmos Deus no canto da parede. Vamos receber o nosso milagre e exigir os nossos direitos”. Foi a gota d’água. Levantei-me e fui embora.

Os ambientes religiosos neopentecostais se tornaram alucinatórios porque geram fascínio por poder e pela capacidade de criar um mundo protegido e previsível. Por se sentirem onipotentes, buscam produzir uma realidade fictícia. Para terem esse mundo hipotético, os sujeitos religiosos chegam ao cúmulo de se acharem gabaritados para comandar Deus. É próprio da religião oferecer segurança, mas os neopentecostais querem produzir garantia existencial com avidez.

Em seus cultos, procuram eliminar as contingências, com a imprevisibilidade dos acidentes e os contratempos do mal. Acreditam-se capazes de domesticar a vida para acabar com as possibilidades de seus filhos adoeceram, de as empresas que dirigem falirem e de se safarem caso estejam em ônibus que despenca no barranco. Almejam uma religião preventiva, que se antecipa aos solavancos da vida. Imaginam-se aptos para transformar a aventura de viver em mar de almirante ou em céu de brigadeiro.

Acontece que essa idéia de um mundo sem percalços não passa de alucinação. Por mais que se ore, por mais que se bata o pé dando ordens a Deus, o Eclesiastes adverte: “O que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-lo” (9:2).

Mas a pergunta insiste: por que os cultos neopentecostais lotam auditórios e ganham força na mídia? Repito, pelo simples fato de prometerem aos fiéis o poder de controlar o amanhã, eliminar os infortúnios e canalizar as bênçãos de Deus para o presente. Quando oram, pretendem gerar ambientes pretensiosamente capazes de antever quaisquer problemas para convertê-los em fortuna e felicidade.

Esta premissa deve ser contestada. Pedir a Deus para nunca se contrariar, ou para ser poupado de acidentes, significa exigir que ele coloque seus filhos em uma bolha de aço. A vida é contingente. Tudo pode ocorrer de bom ou ruim.
Uma existência sem imprevisibilidade seria maçante.
O perigo da tempestade, a ameaça da doença, a iminência da morte fazem o dia-a-dia interessante.

A verdade não produz necessariamente felicidade. Verdade conduz à lucidez.
O delírio, porém, tranquiliza e gera um contentamento falso. Muitos recorrem à religião porque desejam fugir da verdade e se arrasam porque a paz que a alucinação produz não se sustenta diante dos fatos.

Cedo ou tarde, a tempestade chega, o “dia mau” se impõe e o arrazoamento do religioso cai por terra. Interessante observar que Jesus nunca fez promessas mirabolantes. Como não se alinhou aos processos alienantes da religião, ele não garantiu um mundo seguro para os seus seguidores. Pelo contrário, avisou que os enviaria como ovelhas para o meio dos lobos e advertiu que muitos seriam entregues à morte por seus familiares. Sem rodeio, afirmou: “No mundo vocês terão aflições”.

Quando o Espírito conduziu Jesus para o deserto, o Diabo lhe ofereceu uma vida segura, sem imprevistos. As três tentações foram ofertas de provisão, prevenção e poder, mas ele as rechaçou porque as considerou mentirosas. O mundo que o Diabo prometia não existe.

Porém as pessoas preferem acreditar em suas ilusões. Fugir da crueza da vida é uma grande tentação. Em primeiro momento, parece cômodo refugiar-se da realidade, negando-a. É bom acreditar que a riqueza, a saúde, a felicidade estão pertinho dos que souberem manipular Deus.

O mundo neopentecostal se desconectou da realidade. Seus seguidores vivem em negação. Não aceitam partilhar a sorte de todos os mortais. Confundem esperança com deslumbre, virtude com onipotência mágica, culto com manipulação de forças esotéricas e espiritualidade com narcisismo religioso.

Os sociólogos têm razão: o crescimento numérico de evangélicos não arrefecerá nos próximos anos. Entretanto, o problema é qualitativo. O rastro de feridos e decepcionados que embarcaram nessas promessas irreais já é maior do que se imagina.

A demanda por cuidado pastoral vai aumentar. Os egressos do “avivamento evangélico” baterão à porta dos pastores, perguntando: “Por que Deus não me ouviu?” ou “O que fiz de errado?”. Será preciso responder: “Não houve nada de errado com você. Deus não lhe tratou com indiferença. Você apenas alucinou sobre o mundo e misturou fé com fantasia”.

Por Ricardo Gondim